Estes horários dos autocarros (aquele que eu apanho para me deslocar ao centro, incluindo faculdade) mexem-me com os nervos de manhã. Tento apanhar o das 07:59h... sim, é verdade que não estou lá 5 minutos antes, mas também é verdade que a essa hora já o estou a ver bem longe da paragem e a abalar (sem mim). Ou seja, perco sempre a porcaria do autocarro porque vem um ou dois minutos adiantado. Tendo aulas às 08:30h espero pelo próximo autocarro das 08:19h e peço com jeitinho que chegue a horas porque atrasada já eu estou. Nem a horas, nem adiantado... vem sempre atrasado, claro está, porque quando uma pessoa precisa já se sabe.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Este país não é para sérios #4
Ontem entrei na biblioteca já tendo posto a minha mala no cacifo (é proibido levar malas lá para dentro) e dirijo-me às escadas. É, então, que uma senhora me chama e diz que não posso entrar com o casaco na biblioteca. Juro que fiz o maior sorriso que consigo, até porque só podia ser para rir mesmo, e disse-lhe 'Really?? (Ainda sorrindo) I can't take my jacket with me?'. 'No' disse-me ela com olhar simpático, mas também a querer dizer que não era uma brincadeira. Continuei a achar absurdo, mas só consegui agradecer com um ar felicíssimo. Lá deixei o casaco no cacifo, ainda assim... que ideia é a deles?
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Este país não é para sérios #3
Estar num país em que se entende muito pouco da língua é... encontrar uma alemã na casa-de-banho e ela desatar a falar em alemão comigo. Eu percebi que era porque não havia sabonete, mas ainda assim só consegui sorrir. Ela era incrivelmente simpática e senti-me retardada por não lhe conseguir dar uma resposta ao mesmo tempo que não dei a entender que era aluna de erasmus. Ainda assim, foi satisfatório sair da casa-de-banho e dizer Tschüss num tom que dava a entender que tinha percebido tudo o que ali se tinha passado.
Lado positivo da história: sei dizer adeus em alemão
Dia 50 (parte II) - A viagem a Paris e todo um misto de emoções
Poucos dias depois de voltar do Luxemburgo, pus-me a fazer contas à vida e a pensar nas coisas que tinha para fazer durante o semestre e percebi que não teria muito tempo para viajar. Aliás, o fim-de-semana de 5 a 7 de Outubro seria mesmo o melhor. Primeiro, eu e o Olek pensámos em viajar dentro da Alemanha, porque era uma viagem planeada à pressa. Mas os transportes para viajar daqui ao norte da Alemanha são limitados e extremamente caros. Pesquisámos preços e percebemos que ir de autocarro até Paris não ficava nada caro - 75€ ir e vir. Na quinta-feira fomos comprar os bilhetes de autocarro que partiria nessa noite às 23:30h, de seguida marcámos alojamento (que agora só me está a dar problemas, mas isso é assunto para outro dia) e assim fomos. Uma pessoa nunca tinha ido a Paris e pronto, fica deslumbrada. Eu por mim ficava lá. A viver. Para sempre. Achei as pessoas incrivelmente simpáticas, mas o meu termo de comparação é a Alemanha que só tem pessoas carrancudas. A cidade é magnífica, deslumbrante, divina... eu sei lá. Como tínhamos menos de 26 anos e pertencemos à UE não pagámos entradas em museus e em monumentos, o que foi óptimo, porque Paris é uma cidade bastante cara. Marquem as minhas palavras: um dia estou lá a viver.
Isto é só uma pequena amostra. Paris é mais, muito mais!!
Entretanto, chegar a Mannheim foi perceber que um terrível acontecimento se tinha sucedido, o qual por enquanto não vou abordar. Mas que a vida às vezes é bem f***** é...
Dia 50 (parte I) - A viagem ao Luxemburgo
Uau, foi só agora ao escrever "Dia 50" que percebi como estou quase a meio desta experiência, como podem perceber também pelo título do blog. Esta experiência terá 119 dias e 50 já foram. Weeks go by like days around here. De qualquer forma, a todos os que andaram a actualizar o blog e não têm encontrado novidades peço desculpa. Há sempre qualquer coisa para fazer e, por vezes, a paciência para o blog não é muita.
No final de Setembro decidi que estava na altura de ir ao Luxemburgo, não só porque tinha lá roupa de Inverno que vou precisar, mas também porque aquilo é tipo a minha segunda casa e as saudades andam por cá. Fui no dia 26 - Quinta - e voltei no dia 29 - Domingo. Foi óptimo ver as minhas primas e os meus tios. Acho que eles nunca me viram comer tanto, pois... erasmus muda mesmo uma pessoa. A sensação de estar no conforto de uma casa que vejo quase como minha também foi estranha, afinal foi uma pausa de 4 dias nesta minha aventura. 4 dias sem ter de cozinhar, pensar em roupa, em lavar louça, etc. 4 dias a correr de um lado para o outro com as minhas primas e não para apanhar o autocarro. 4 dias bons, claro, mas quando regressei a Mannheim não achei que estivesse a perder nada.
P.S- Eu tinha fotografias, mas, entretanto, não sei que lhes fiz
domingo, 22 de setembro de 2013
Dia 31 (parte II) - O balanço
Quando aqui cheguei há um mês, precisamente, tive um pequeno ataque de pânico. Eu queria isto, eu queria sair de Portugal e da minha zona de conforto por uns tempos. Mas querer e ter são duas coisas diferentes, admitamos. O primeiro sentimento que tive foi "Eu só podia estar louca quando pensei que aguentava aqui 17 semanas". Naquele dia 17 semanas, quatro meses, quase 120 dias pareciam-me uma eternidade. Hoje não me parecem nada, parecem-me um fim-de-semana e custa-me a crer que 1/4 da minha experiência de intercâmbio já passou. Se sinto saudades de casa? Não, nem por isso. Sinto saudades das pessoas, claro, e muitas. Mas durante o tempo que aqui estou esta é a minha casa. E embora a "casa" em si onde vivo não seja a melhor, eu sinto-me bem aqui.
A universidade está a fazer o seu papel, podia ter um horário melhor, mas foi este que eu escolhi. Já tenho coisas para estudar, mas nada que não se faça. O pior é mesmo o meu time management. Adoro a independência. Podia dispensar ter que cozinhar, lavar a roupa e etc, mas a verdade é que sabe bem saber que consigo fazer isso tudo sem a mãe por perto. Não gosto muitos dos alemães, em geral, carrancudos e antipáticos, mas com paciência vamos lá. Conheço um bom grupo de pessoas, mas, honestamente, estava à espera de conhecer mais. Queria conhecer pessoas da China, Canadá, Suécia, Nova Iorque e isso ainda não aconteceu bem bem. Elas andam aí, mas é mais difícil criar laços do que possa parecer.
Em suma: alguém que congele o tempo, porque isto está a passar muito rápido e eu quero mais, muito mais! São 3 meses que faltam? Então que venham e que cada um seja melhor que o anterior!
Dia 31 (parte I) - Laurear a pevide, já dizia a minha avó
Hallo (como se diz em alemão)! É hoje, é hoje que faz exactamente um mês que aqui estou... mas este post ainda não é sobre isso, mas sim o próximo. Este é para vos contar dos meus passeios. Na sexta devia ter ido às aulas das 8h da manhã, mas como tenho uma colega de quarto que resolve ver televisão ou o que seja aos altos berros até às 3h da manhã, digamos que não deu! À tarde, fui com os portugueses visitar um parque que há na cidade - Luisenpark. Qual Gulbenkian qual quê. Aliás, este parque pagava-se, mas como já não estava em época alta e nós somos estudantes ficou-nos apenas a 1€. Não tenho fotografias de tudo porque a minha máquina decide-se a ficar sem bateria no meio daquilo. Não pedimos um mapa do sítio, fizemos mal. Mais que visto que andámos perdidos. Aquilo não parece grande ao início, mas é. Cheio de animais pela relva, parques para crianças, sítios para as pessoas se sentarem e conviverem. Vale, de facto, a pena visitar.
Hoje também foi dia de passeio. Fui a mais uma das cidades vizinhas, Weinheim, está apenas a 10km de Mannheim. Primeiro, andámos a passear por um jardim botânico. Depois vimos o centro da cidade e seguimos até um género de forte. Mais uma vez tive que andar por montanhas e colinas, mas a vista lá em cima valeu bem a pena. Foi um "Lazy Sunday" bem passado.
Alguém que me explique este sinal? Eu não o entendo
Que vista magnífica... breath taking
A recompensa da "guerreira", já no final da visita
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Este país não é para sérios #2
4º - Aqui há coelhos em todo o lado. Também já vi esquilos, mas coelhos é uma coisa inacreditável. Andam aqui na relva à volta da residência e são tantos! Até apetece trazer os pequeninos para casa, mas parece-me que são coelhos selvagens e com coisas sérias não se brinca.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Este país não é para sérios #1
Há quatro semanas, precisamente a uma quinta-feira, estava eu a chegar a este país. A esta residência. A este quarto. Macacos me mordam se não parece que só passaram meia dúzia de dias. No entanto, farei um balanço mais a sério da coisa no dia 22, quando estiver aqui há um mês, sem tirar nem pôr.
Hoje venho inaugurar uma nova rubrica no blog, uma que dará origem a muitos posts se a minha busy life não se intrometer no caminho. Acontecem-me várias situações caricatas ao dia, umas boas, outras nem tanto. Mas basicamente esta rubrica serve para eu fazer apontamentos de situações do dia-a-dia, que de outra forma me acabaria por esquecer. O nome da rubrica devesse ao facto de se não se levar algumas coisas que aqui se dão com boa disposição, rapidamente nos ferve o sangue à cabeça e perdemos a paciência. Ora, analisemos algumas situações que eu, assim de repente, me lembro:
1º - Qual é a porra deles com o picante na comida? Jesus Christ!, não se pode. De vez em quando, juro que estou na Índia. O Mc aqui é absolutamente intragável e, tão depressa não me apanham lá. Não só é mais caro, como tem com cada molho mais estranho e picante que quando acabo estou a deitar chamas da boca. Mas não é só o Mc, a cantina daqui é a mesma cena... Como se toda a gente fosse obrigada a gostar de picante. Valha-me a nossa...
2º - Sorriam alemães, pelo amor da Santa, sorriam! Não são todos, mas há com cada pessoa a atender atrás do balcão com um ar mais carrancudo que sei lá o quê. E se os obrigares a falar inglês (nem é bem inglês, que eles adoram pôr o alemão lá no meio e fazer com que o pessoal fique à nora) então aí é que nem os dentes lhes vês. Excepto hoje. Fui comprar uns bilhetes de comboio e estava a tentar explicar à senhora que o meu cartão poderia não dar porque uso o de Portugal e que talvez precisasse de ir ao multibanco. Ela sorria para mim como quem diz "Não faço ideia o que dizes, mas tenho de sorrir para ver se te calas".
3º - Também há pessoas boas. Hoje estava a comprar algo para comer e acho que por acidente devo ter dado dinheiro a mais, mas na minha cabeça tinha dado o dinheiro certinho. O rapaz devolveu-mo, percebendo o meu erro. Danke
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Dia 27 - Tenho andado desaparecida e a loiça cá de casa... também
Desculpem a demora, amigos/as. Não é por mal, mas uma pessoa aqui tem de ser dona de casa... tratar de comida, roupa, limpeza do quarto. E em cima disso ainda tenho a faculdade. Vá, isto não é nada demais. O meu problema mesmo é a procrastinação, mas isto muda, não se preocupem! "E novidades?". Bem, Sexta-feira passada havia aqui um festival de vinho numa terra vizinha. Segundo a internet, é mesmo o maior festival de vinho do mundo. Aquilo tinha muita coisas, muitas barraquinhas com comida, com bijuterias, mas parecia, sobretudo, um parque de diversões. Havia vinho, claro, mas tinha que se ir pedir às tendas... não havia assim nada exposto, pelo que achei que para festival de vinho, podia ser melhor! Arrancámos daqui às 19h numa espécie de eléctrico que demorou 1h a lá chegar. E foi uma hora a penar, de pé, porque aquilo estava mais cheio que o metro de Lisboa às 7h da manhã. Fui eu, os polacos e a Maria, uma das raparigas portuguesas. O resto dos portugueses foram lá ter mais tarde. Infelizmente, não tive oportunidade para tirar fotografias pelo que vos deixo aqui com algumas retiradas do Google, mas que retratam bem o que andei vendo:
Foi giro, é verdade. Mas assim, de repente, a minha feira da Cuba é melhor!
O fim-de-semana foi de descanso, até porque o tempo aqui tem estado tudo menos apelativo. Domingo, o Olek diz-me que mais três polacos vêm cá a casa para eles terem um pequeno convívio. Até aí tudo bem. O problema é que eu esqueci-me como é que os polacos "convivem". E agora não eram só dois, eram cinco e estavam cá para fazer mossa. Eu preferi não fazer parte da festa, não só porque tinha coisas a tratar e pessoas com quem falar, mas porque eles acabariam por falar mais polaco do que outra coisa e não ia entender patavina. Pois então que vieram e riram muito enquanto bebiam cerveja. Entretanto, fartaram-se da falta de álcool e foram buscar... adivinhem? Vodka! Começa o terror... da cozinha só se ouviam berros e canções polacas. Tive de ir lá para comer e aquilo estava virado do avesso. Estavam todos, sem excepção, narsos. A única rapariga insistia que queria levar o tigre de peluche que cá temos em casa com ela e foi daí que lhes surgiu a ideia de cantarem "the eye of the tiger". Eles falavam polaco entre si e o Danisz traduzia-me, o que significava que estavam múltiplas conversas a acontecer ao mesmo tempo. Ainda um dos polacos, o David, que já havia engraçado comigo, resolveu perguntar-me 500x se tínhamos marketing no dia a seguir, e a que horas, e dizer que íamos ter aulas juntos. E valha-me a minha paciência! Assim que pude saí dali. Eram 11h eles saíram de casa e, aparentemente, foram para outra festa aqui no dormitório ao lado. Regresso à cozinha e está esse David a dormir no nosso sofá. Com tudo mais sossegado tento ir dormir, até porque Segunda tenho aulas cedo. Quase que resultou até eles terem voltado e feito ainda mais barulho, parecia que estavam a destruir (ainda mais) a cozinha. Eu só queria dormir e estava completamente impossível. Saio para ir à casa de banho e vejo o Olek, super bêbado, sem blusa, sem botão dos calções, enfim vocês podem imaginar o estado de degradação. Às 2h da manhã é que isto acalmou. Só voltei à cozinha no dia a seguir e mal consegui tomar o pequeno almoço. A loiça TODA suja, a bancada super porca com vinho, comida e cigarros. Mas o melhor foi um outro rapaz a dormir no sofá, tapado pelo cortinado da janela e com a boca toda suja de frango de caril. Fui para a faculdade na esperança de que quando voltasse as coisas estivessem de volta ao normal. E estavam. Mais ou menos. Recebemos um e-mail ameaçador porque o manager do hall veio cá a casa e viu-a neste lindo estado. Basicamente se voltasse a ver a casa num estado parecido teríamos de ser nós a pagar a uma empresa privada para vir fazer limpeza. A questão é que alguém arrumou a cozinha... ainda não sei bem quem, se a minha vizinha, se as pessoas que trabalham na residência. Certo é que com a limpeza foi-se também grande parte da loiça. Neste momento, temos UM garfo! Desapareceram canecas, pratos, talheres e panelas. Epá não entendo! De vez em quando reaparece uma caneca e um prato. E logo a seguir desaparece outra vez. Eu acho que há gente a levar a loiça para o quarto e a deixá-la lá, mas quer dizer, isso de justo não tem nada e em breve deixarei um bilhetinho. Isto anda uma casa de malucos... juro-vos!
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Dia 18 (parte II) - O dia da ressaca
No Domingo, ontem, o Olek e o Danisz tinham ficado de ir a uma cidade aqui perto: Heidelberg. Achei que não ia estar em condições de ir com eles depois da noite anterior, mas não sei bem como, reuni forças e fui. Tenho aprendido tanto com eles. Primeiro, porque são cultos e sabem um pouco (muito!) de todos os assuntos. Depois porque são rapazes e partilham muito dos seus pensamentos (puros e impuros) comigo. Adiante, apanhámos o eléctrico na direcção errada. Mas o que é certo é que passado 1h30 estávamos lá. Heidelberg merece ser visto, apreciado. Mesmo cansada (e ressacada) como estava, a beleza estava à vista de todos. O ar puro das montanhas, a multidão a caminhar lentamente por ser Domingo, dia de descanso e aquelas paisagens. Se algum dia quiserem tempo e espaço para reflectir, venham até cá. Vale a pena! Mas uma fotografia vale mais que mil palavras, correcto?
Nalgumas das fotografias dá para perceber que há um castelo no meio das montanhas. Sim, subi até lá... parece pior do que na verdade é. Ainda assim não foi a melhor ideia num dia de ressaca. No entanto, para se ver o castelo por dentro tinha de se pagar. Os polacos foram, mas eu decidi passar. Estava cansada, precisava de me alimentar e vou voltar lá de qualquer das maneiras. Segui caminho e voltei à avenida principal. Enquanto ia descansada da vida a ouvir música, um homem veio ter comigo e começou a falar rapidamente em alemão. Tirei os fones calmamente e disse-lhe "I don't speak ...". De imediato ele mudou para o inglês e basicamente disse-me "You look very nice". Agradeci-lhe. Ele queria conversa, mas eu não estava para isso. Voltei para casa e fiz aquilo que realmente tinha vontade de fazer: dormir!
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