sábado, 31 de agosto de 2013

Dia 9 - A vodka é a culpada

Não, não desapareci. Não escrevi durante uns dias, primeiro porque houve uns dias calmos, sem nada de relevante para contar, apenas a adaptação à cidade e a esta nova vida e depois porque já era demasiada coisa a acontecer. Na quarta-feira tinha ido ao centro tratar de mais burocracias e comprar lâmpadas, dado que comprei um candeeiro e ia jurar que era óbvio que vinham logo com lâmpada incluida (jurava mal). Quando chego a casa não havia cozinha, havia uma divisão da casa coberta de farinha e massa e água e sei lá mais o quê. Os polacos (Olek e Danisz) estavam a preparar um almoço típico da Polónia para mim. É um género de rissóis sem ter nada a ver. Mas vejam por vocês: 



Eles demoraram 3 horas a fazer isto, segundo eles não estava bem como devia ser (mas a cor estava, não se preocupem que não estava nada cru). O engraçado desta refeição é que é acompanhada de... vodka! A ideia era comer, beber um shot de vodka pura e depois trincar um pickle. Pois... é assim que eles me arruinam. Em breve sou eu a cozinhar algo tipicamente português. Ideias?
Na quinta-feira começou oficialmente a Welcome week na faculdade com aquelas palestras a explicar tudo o que os incoming students precisam de saber. À noite fui jantar à casa de três raparigas portuguesas do iseg e depois iriamos a uma festa na faculdade. É uma festa que há todas as quinta-feiras mas acaba cedo, à 1 da manhã, por isso não chegámos bem a tempo. Depois de jantar elas começaram a beber, mas eu sinceramente não quis. Sentia que o meu estômago precisava de descanso depois das últimas duas experiências quase traumáticas com vodka. Mas elas foram ficando mais bêbadas e ninguém quer ser a sóbria do grupo. Quase à hora de sair de casa comecei a beber, de pilão (calculo eu que tenha sido esse o problema), para podermos ir apanhar o autocarro. Pensei que ia ficar apenas tocada porque não tinha bebido sequer metade do que elas tinham bebido. Nunca estive tão enganada... Posso-vos dizer que estivemos na discoteca entre a meia-noite e as 5h e eu nunca entrei na discoteca. Entre chegar à discoteca e as 4 da manhã, não me lembro de absolutamente nada a não ser vomitar e vomitar e vomitar. Mas que vida é esta?? Claro que no dia a seguir acordo cheia de mazelas e dores e nódoas negras, porque é o que dá quase perder os sentidos. Sabem o que vos digo? Nos próximos dias só cerveja... essa sim é amiga! De qualquer forma, acordo sempre sem ressaca e não entendo como, depois de uma noite pavorosa como aquela. 

Sei que esta não parece quase nada, mas lavar a loiça é uma verdadeira tortura

Esta no joelho já tem alguns dias, mas ainda está neste bonito estado

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Dia 4 - Os polacos vão-me desgraçar

Este post devia ter sido escrito ontem, mas a única coisa interessante de ontem só aconteceu mesmo à noite. Novamente, acordei às 7h a um Domingo e tive até direito a Ivete Sangalo. Penso que aquilo seja música para o exercício matinal da pessoa, ainda assim, é injustificável. Já percebi é que a coisa não se repete aos dias de semana (Thank you Lord!). Como os dias aqui estão chuvosos e eu ainda estou doente desde Vilamoura, fiquei por casa. Ah, até porque ao Domingo fecha tudo, incluindo supermercados. À tarde, chegou mais um polaco, amigo do polaco que já cá estava. Eu até escrevia os seus nomes caso conseguisse, o que não é o caso. Polaco que é polaco traz vodka e à noite juntamo-nos na cozinha com um rapaz mexicano que também cá vive (ando sempre a descobrir pessoas novas). Ele trouxe vodka com sabores, mas não vou entrar em pormenores porque a minha barriga ainda anda à voltas. Aquilo eram shots de vodka e depois tinha de se beber água com gás, dizem eles que evita a ressaca. Fomos bebendo e aquilo claro vai batendo. O meu primeiro erro foi dizer-lhes "Eu nunca vomito", eles riram-se e mais tarde, percebi porquê. Eles estavam óptimos, mas eu a certo ponto disse que já chegava para mim. Para eles, eu estava sóbria (que raio de definição de bebedeira têm eles?), mas eu sabia que não. Estão a ver como nós ficávamos em Vilamoura, amigas? Eu estava 5x pior. Estava mal disposta, tentei apanhar ar fresco para evitar o vómito, mas já não estava bem em lado nenhum. Meio deambulando fui para o meu quarto. Caí. Despi-me. Sabe-se lá como tive descernimento para tirar as lentes apesar de a imagem no espelho ser completamente turva. Deitei-me. Vomitei no chão 2 ou 3 vezes, mas estava incapaz de qualquer coisa quanto mais ir limpar. Acordei, então, às 5h da manhã e lá fui limpar o chão. A única coisa boa foi que, de facto, ressaca nem vê-la. Não consegui dormir quase nada, mas foi só isso. De manhã encontrei-os, mas claro que não lhes contei as minhas vergonhas. Eles dizem que não sei o que é estar bebada e que querem fazer experiências. Ajudem-me ou os polacos só me levam para a má vida!

sábado, 24 de agosto de 2013

Dia 3 - A saga continua

Estão preparados? Eram 7h40 quando olho para o relógio, mas tinha a sensação que tinha dormido mais. Eu nem queria acreditar, 7h da manhã a um Sábado e eu estava a levar com a porra da música aos altos berros outra vez. ARE YOU FUCKING SERIOUS?, pensei. E só podiam estar porque aquilo estava, de facto, a acontecer. Fui ao quarto do rapaz e só fiz dois gestos, o primeiro para dizer para baixar o volume, o segundo para dizer que queria dormir. COMO SE NÃO FOSSE ÓBVIO QUE ÀS 7H DE UM SÁBADO QUERO ESTAR A DORMIR! Ok, calma... Bem, ele baixou, mas não pensem que por isso não se ouvia. A algum custo lá consegui deixar-me dormir, mas acordei mais umas vezes com a vizinha do lado a ouvir rap e a ver suits. Sim, eu adoro suits, mas dispenso ouvir a música do genérico no meu quarto. Só fiquei a saber que era uma rapariga hoje, mas vocês não estão bem a ver. Ela é uma rapariga, muito provavelmente, africana, "grande" e que tem aquelas vestes próprias deles e depois ouve rap e eu penso que já não sei nada de nada. Adiante, acordei mais para o tarde e queria sair de casa, mas chovia a potes e eu nem guarda-chuva tenho. Ainda tentei ir apanhar o autocarro, mas demorou demasiado tempo e regressei a casa pingando. De tarde, sabe-se lá porquê, paira o silêncio nesta casa e resolvi deitar-me novamente. Acordei com o meu vizinho, o que afinal sempre é polaco, a bater à porta e a perguntar se eu queria ir dar uma volta e conhecer a zona. Sem nada melhor para fazer disse-lhe que sim e assim fizemos. É fácil conversar com ele, por isso não houve silêncios estranhos nem embaraços. Andámos à procura de um pub e, quando finalmente achámos, bebemos uma cerveja (na Alemanha, sê alemã) e elas aqui são de meio litro. Ah pois, não se brinca em serviço.


Acabámos por voltar para casa já às 10h e tal e, estivemos a conversar na única zona de convívio possível - a cozinha. Amanhã diz que é dia de bebermos shots de vodka pura com um amigo dele que está prestes a chegar, veremos!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Dia 2 - A alegria por ver um microondas

Depois do dia de ontem e da sensação "O que é que me deu na cabeça para fazer isto?", o dia de hoje começou lindamente. A sério?, perguntam vocês. N-Ã-O, acordei a ouvir rap do quarto ao lado (o qual eu julgava desocupado). Eram 10 da manhã e música já aos berros. Mas eu mereço?? Fui bater à porta para pedir gentilmente que usasse fones, não abriu. Decidi, então, mandar um papel para debaixo da porta «Hi. I live next door. Could you please use phones? Thanks!!!». Os três pontos de exclamação era para não causar desde já mau ambiente. Quem quer que tenha sido baixou significativamente o som e passado meia hora ouvia-se apenas silêncio (como eu adoro silêncio agora!). Depois saímos e fomos para a universidade fazer a inscrição e tratar de todas as burocracias necessárias, conta no banco, passe para os transportes, etc. Não posso descrever o tamanho daquela faculdade... que labirinto. Mas é linda, linda. Ali na faculdade confirmei a minha teoria: andar sozinha tens as suas vantagens, as pessoas ajudam-te caso peças ou não, uma pequena conversa e, pronto, um novo amigo! Se estivermos acompanhados há aquele condicionamento chato. Bem, depois de tudo tratado, fui almoçar ao Subway, nunca tinha experimentado, mas é do género Pans & Company só que cada pessoa é que decide o que colocar na sandes. Mais tarde, uma voltinha na cidade e tirei algumas fotografias, mas não tantas quanto gostaria porque a máquina não tinha bateria. Já tenho as minhas primeiras impressões da cidade, é uma cidade suja em termos de lixo na rua, mas ora vejam:

Esta praçeta faz lembrar o Arco do Cego, mas mais calmo

 Private accomodation... quero-te!!

 Este tipo de lojas com exposição na rua é muito comum

Pus uma imagem deste local no fb antes de vir, agora aqui tirada em pessoa 

Outra praçeta


Chego a casa, vou às compras pela milionésima vez (A sério isto não acaba?) e quando vou guardar as coisas na cozinha, eis que o vejo. Não estava ligado à tomada, mas era ele... o MICROONDAS, que eu achava que não tinha e, que por isso já estava a desesperar. Entretanto, apareceu também uma tostadeira. Têm ar de estar limpos? Não, mas isso é outra história. Entretanto, apareceu um colega de casa que eu ia jurar que ele tinha dito que era da Polónia e depois fiz asneira, porque afinal é de Oslo... mas é simpático.
E amanhã é dia de qualquer coisa que ainda não sei, talvez tenha que ir ao IKEA porque esta espécie de casa não tem nada e aos poucos vou explicando à minha mãe, que só me diz "Filha, vale pela experiência e deixa que aprendes a dar mais valor". Nunca falaste tão verdade, mãe.

PS - Como estou na Alemanha há dezenas de músicas no youtube que não posso ouvir por causa de uns direitos quaisquer e videoclips é de todo impossível

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dia 1 - Dou por mim a perguntar quando é o regresso

Vá, não me julguem. Eu nem sou de mariquices nas despedidas. Estava triste, claro, por deixar a família estes meses, mas entusiasmada por mim, porque acho que é uma experiência enriquecedora.
O voo correu lindamente há que dizê-lo, chegar a Mannheim propriamente é que já foi aventura que eu dispensava. Paga uma pessoa 26€ por uma viagem de 30 minutos (sim, leram bem) e direito a estar sentada nem pensar e revisores a verificar o bilhete nem pensar também. Saída do comboio com a dificuldade habitual, dado que carrego uma mala que pesa aproximadamente o mesmo que eu. Fomos, então, esperar por um autocarro que nos levasse à residência. A estação de comboios é a um passo da faculdade e pensei que a residência de autocarro não fosse longe. Pois a mim pareceu-me que tinha ido até Berlim (bem lá no cimo da Alemanha). Talvez a ilusão se desse ao cansaço, horas dormidas na noite anterior tinham sido nulas por escolha e agora sofria as consequências. Chegados à residência não haviam indicação nenhuma para onde ir, depois de mais umas voltas que eu fiz de língua traçada, lá demos com a Hause 43. E aqui estou eu. Num quarto com um bicho morto debaixo da secretária. Um quarto que divide wc e cozinha com mais 5 quartos. Adivinharam... não estou a saltar de felicidade! Tive de limpar o quarto, a cozinha já desisti, porque seria tarefa para o semestre inteiro. Então aqui ando, entre vizinhos rapazes que ainda não percebi se são boa gente ou uma dor de cabeça. Há um que arruma, mas põe música aos altos berros. Há outro que não faz barulho, mas já invadiu privacidade. E ouve-se o rumor de que há mais alguém... Ahh e a porta do armário da cozinha que me pertence resolver não abrir com a chave, abriu durante a tarde, mas agora fez greve! 
Pois, estou com humor de cão, as primeiras saudades da família (para mim as piores) e isto ainda não começou a animar. A faculdade só começa daqui a uma semana e até lá é uma ansiedade por aparecer algo que anime, que avive! Amanhã é outro dia, já diziam os alemães.

PS - Amanhã o post vem acompanhado de fotografias, só falar, falar não tem piada